{"id":32101,"date":"2026-07-25T09:41:47","date_gmt":"2026-07-25T12:41:47","guid":{"rendered":"https:\/\/minutoextra.com.br\/?p=32101"},"modified":"2026-07-25T09:41:47","modified_gmt":"2026-07-25T12:41:47","slug":"o-mojo-de-moacir-santos-o-maestro-que-conectou-sertao-bossa-e-jazz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/minutoextra.com.br\/?p=32101","title":{"rendered":"O &#8220;mojo &#8220;de Moacir Santos: o maestro que conectou sert\u00e3o, bossa e jazz"},"content":{"rendered":"<p>Compositor, arranjador, multi-instrumentista, maestro\u2026 <strong>Moacir Santos completaria 100 anos no pr\u00f3ximo dia 26 de julho<\/strong>. Com uma extensa obra que se destaca pela fus\u00e3o de ritmos afro-brasileiros com o jazz, o m\u00fasico ainda carece de maior reconhecimento no Brasil.\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1697400&#038;o=rss\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1697400&#038;o=rss\"><\/p>\n<p>A reza de pessoas numa prociss\u00e3o foi o ponto de partida para a melodia de <em>Nan\u00e3<\/em>, composta por Moacir Santos. Trilha de abertura do filme <em>Ganga Zumba<\/em>, ganhou letra de Mario Telles e foi gravada por uma centena de artistas, como Nara Le\u00e3o, Sergio Mendes, Tim Maia e nomes do jazz, como Kenny Burrell e Gil Evans. Nan\u00e3 \u00e9 a orix\u00e1 mais antiga das religi\u00f5es afro-brasileiras e, na obra de Moacir Santos, \u00e9 sua can\u00e7\u00e3o mais conhecida.<\/p>\n<p><iframe align=\"middle\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen=\"\" frameborder=\"0\" height=\"198\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" scrolling=\"no\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/izqMuE2odU0?si=G56DndoVKPpef-Rz\" title=\"YouTube video player\" width=\"352\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin\"><\/iframe><\/p>\n<h3><strong>Da banda marcial para a orquestra<\/strong><\/h3>\n<p>Nascido em 26 de julho de 1926, no sert\u00e3o pernambucano, na regi\u00e3o de Serra Talhada, o maestro aprendeu a tocar os instrumentos de banda marcial ainda crian\u00e7a. Em depoimento recuperado de um especial da <strong>R\u00e1dio MEC<\/strong>, em 2016, Moacir Santos relembra os primeiros contatos com a m\u00fasica.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Quando eu entendi a vida, que era um ser vivo, a m\u00fasica tamb\u00e9m j\u00e1 estava comigo. A gente brincava de banda de m\u00fasica da cidade. L\u00e1 em Flores, uma cidade assim muito subdesenvolvida, era muito natural os meninos andarem nus, sem roupinha, at\u00e9 l\u00e1 pelos 9, 10 anos de idade. Ent\u00e3o, eu com 2 anos tinha a minha banda de meninos nus no meio da rua, tocando a marchinha. Ent\u00e3o, esse foi o meu contato com m\u00fasica.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Na adolesc\u00eancia, <strong>o m\u00fasico fugiu de casa e rodou o Nordeste em orquestras de circo e bandas militares<\/strong>. Allan Abbadia, multi-instrumentista, arranjador, compositor e pesquisador, explica que as bandas de m\u00fasica t\u00eam uma import\u00e2ncia na forma\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e que Moacir Santos veio dessa tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cNo Brasil Imp\u00e9rio, a gente tinha quase que a totalidade de m\u00fasicos no pa\u00eds pessoas negras. As bandas eram o r\u00e1dio da cidade, dos eventos de domingo. Ent\u00e3o, o Moacir vem dessa tradi\u00e7\u00e3o. Ao chegar aos grandes centros, ele j\u00e1 veio com essa tradi\u00e7\u00e3o e ele acrescentou a isso os estudos mais aprofundados.&#8221;\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em Jo\u00e3o Pessoa, Moacir foi regente da banda da <em>R\u00e1dio Tabajara<\/em> e, depois, seguiu para o Rio de Janeiro, onde atuou na <strong>R\u00e1dio Nacional<\/strong> como saxofonista a partir de 1948 e, tr\u00eas anos depois, j\u00e1 era arranjador da orquestra da emissora.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-center\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=469751:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><br \/>\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/D-yl8w5weSESFRQ284By6wzeoPw=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/24\/moacir_santos_1964_copy.jpg?itok=52-7T6Ox\" alt=\"Moacir Santos  foi um arranjador, compositor, maestro e multi-instrumentista brasileiro. Foto Wikipedia\/ Divulga\u00e7\u00e3o\" title=\"Wikipedia\/ Divulga\u00e7\u00e3o\"><br \/>\n        <noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/D-yl8w5weSESFRQ284By6wzeoPw=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/24\/moacir_santos_1964_copy.jpg?itok=52-7T6Ox\" alt=\"Moacir Santos  foi um arranjador, compositor, maestro e multi-instrumentista brasileiro. Foto Wikipedia\/ Divulga\u00e7\u00e3o\" title=\"Wikipedia\/ Divulga\u00e7\u00e3o\"><\/noscript><br \/>\n    <!-- END scald=469751 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\"><!--copyright=469751-->Moacir Santos foi um arranjador, compositor, maestro e multi-instrumentista brasileiro. &#8211; <strong>Wikipedia\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=469751--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3><strong>Professores, parceiros e alunos<\/strong><\/h3>\n<p>Foi aluno do maestro C\u00e9sar Guerra-Peixe\u00a0e professor de Baden Powell, Jo\u00e3o Donato, Paulinho da Viola, Airto Moreira, Roberto Menescal, entre outros. Andrea Ernest Dias, flautista e pesquisadora da obra do maestro, autora do livro <em>Moacir Santos, ou os caminhos de um m\u00fasico brasileiro<\/em>, conta que o artista <strong>construiu uma identidade sonora a partir de pesquisas aprofundadas em teoria musical<\/strong> &#8211; o que fez com que m\u00fasicos mais jovens quisessem aprender com o mestre.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cPara aprender m\u00fasica, n\u00e9? De uma forma, para quem queria se aprofundar um pouco, sair do campo da intui\u00e7\u00e3o musical e saber, o Moacir se tornou essa pessoa que fazia essa ponte entre a erudi\u00e7\u00e3o e o popular. Ent\u00e3o ele se tornou dessa forma o professor de muita gente. Ele dava muita aula: Menescal, Carlos Lyra, Nara Le\u00e3o.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ainda na d\u00e9cada de 1960, Moacir arranjou \u00e1lbuns de Elizeth Cardoso e Baden Powell, e comp\u00f4s trilhas de filmes &#8211; parte delas lan\u00e7adas no \u00e1lbum <em>Coisas\u00a0<\/em>de 1965. Considerado sua obra-prima, o trabalho re\u00fane 10 composi\u00e7\u00f5es, todas intituladas <em>Coisa\u00a0<\/em>seguida da numera\u00e7\u00e3o. Andrea Ernest Dias comenta a genialidade do m\u00fasico na <strong>fus\u00e3o de ritmos afro-brasileiros com os sopros das bandas de jazz<\/strong>.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cO disco <em>Coisas <\/em>\u00e9 uma s\u00edntese dessa trajet\u00f3ria dele. Ele tem refer\u00eancias das bandas filarm\u00f4nicas, na instrumenta\u00e7\u00e3o; das <em>jazz bands<\/em> tamb\u00e9m, que \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o forte pelo pa\u00eds desde os anos 40; <em>jazz bands<\/em> que que ele tamb\u00e9m participou na sua regi\u00e3o natal; e a quest\u00e3o jazz\u00edstica, a improvisa\u00e7\u00e3o, a pesquisa na Orquestra Afro-brasileira trazendo essa identidade afro-brasileira, uma marca mais forte nessa instrumenta\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 um trabalho que \u00e9 um marco na hist\u00f3ria da m\u00fasica brasileira e traz o Moacir compositor na plenitude do seu dom\u00ednio musical, de t\u00e9cnicas e de inspira\u00e7\u00e3o musical\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><iframe align=\"middle\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen=\"\" frameborder=\"0\" height=\"198\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" scrolling=\"no\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Z1E4MGzrx3U?si=C8ZOdt39wH4fTd1o\" title=\"YouTube video player\" width=\"352\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin\"><\/iframe><\/p>\n<h3><strong>Internacional<\/strong><\/h3>\n<p>Em 1967, Moacir Santos deixou a <strong>R\u00e1dio Nacional<\/strong> e se mudou para os Estados Unidos, onde seguiu dando aulas e compondo trilhas de cinema, nas equipes dos maestros Henry Mancini e Lalo Schifrin. <strong>Na d\u00e9cada de 70, lan\u00e7ou \u00e1lbuns pela renomada gravadora de jazz Blue Note, entre eles, <em>Maestro\u00a0<\/em>, indicado ao Grammy<\/strong>. Andrea Ernest Dias fala sobre o \u201cmojo\u201d, inova\u00e7\u00e3o trazida por Moacir neste trabalho.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cO mojo \u00e9 uma esp\u00e9cie de s\u00edntese, assim, um sistema que ele criou, muito swingado, uma coisa que a gente ouve e imediatamente fala: &#8216;isso a\u00ed \u00e9 ritmo do Moacir&#8217;. Ent\u00e3o ele sistematizava as pr\u00f3prias c\u00e9lulas r\u00edtmicas e transformou esse ritmo num grande balan\u00e7o, assim, numa marca pessoal mesmo. A ciranda, o maracatu, o disco <em>Maestro <\/em>marca uma nova etapa na vida do maestro Moacir Santos. Um disco realizado nos Estados Unidos e que traz ritmos intrigantes.<\/p>\n<\/blockquote>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=469750:medio_4colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><br \/>\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/loading_v2.gif\" data-echo=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/8dtYt9M0vg2CPaQe9L5wUGa_3GM=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/24\/moacirsantos_copy.jpg?itok=dZbPYq76\" alt=\"Moacir Santos (1926 \u2013 2006) faria 100 anos em 26 de julho \u2014 Foto: Guto Costa \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" title=\"Guto Costa \/ Divulga\u00e7\u00e3o\"><br \/>\n        <noscript><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/8dtYt9M0vg2CPaQe9L5wUGa_3GM=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/24\/moacirsantos_copy.jpg?itok=dZbPYq76\" alt=\"Moacir Santos (1926 \u2013 2006) faria 100 anos em 26 de julho \u2014 Foto: Guto Costa \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" title=\"Guto Costa \/ Divulga\u00e7\u00e3o\"><\/noscript><br \/>\n    <!-- END scald=469750 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\"><!--copyright=469750-->Moacir Santos (1926 \u2013 2006) &#8211; <strong>Guto Costa \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=469750--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3><strong>Legado<\/strong><\/h3>\n<p>Em 1985, Moacir Santos foi homenageado no 1\u00ba Free Jazz Festival, e tocou na abertura do evento ao lado de Radam\u00e9s Gnatalli.<\/p>\n<p>A obra do maestro foi revisitada em 2001 pelos m\u00fasicos Z\u00e9 Nogueira e Mario Adnet\u00a0no projeto Ouro Negro, com participa\u00e7\u00f5es de Milton Nascimento, Gilberto Gil e do pr\u00f3prio Moacir Santos. O \u00e1lbum <em>Ouro Negro<\/em>\u00a0foi a porta de entrada para a obra do m\u00fasico para ouvintes como o Allan Abbadia.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cEle \u00e9 fruto de uma genialidade incr\u00edvel e uma intelectualidade conquistada atrav\u00e9s dos estudos, estudos tamb\u00e9m da nossa oralidade, da cultura afro-brasileira. Uma das caracter\u00edsticas mais marcantes dele \u00e9 o di\u00e1logo entre diferentes express\u00f5es art\u00edsticas da di\u00e1spora. Ent\u00e3o ele vem juntando v\u00e1rias dessas express\u00f5es com a m\u00fasica erudita e ele conseguiu trazer essa ess\u00eancia da m\u00fasica afro-brasileira, afro-diasp\u00f3rica, sem se tornar folcl\u00f3rico. Ele conseguiu usar t\u00e9cnicas de outros instrumentos. Ele faz uma coisa de fun\u00e7\u00f5es assim, que \u00e9 muito legal, que \u00e0s vezes o baixo n\u00e3o t\u00e1 tocando, n\u00e3o t\u00e1 exercendo o papel do contrabaixo na m\u00fasica ocidental. Ele t\u00e1 fazendo o papel do rum, que \u00e9 o tambor mais grave\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Neste ano, j\u00e1 aconteceram alguns eventos em comemora\u00e7\u00e3o ao centen\u00e1rio de Moacir Santos e, no m\u00eas de agosto, Allan Abbadia vai dar aulas sobre a obra de Moacir Santos no Centro de Pesquisa e Forma\u00e7\u00e3o do Sesc em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201c\u00c9 muito importante reverenciar a obra do Moacir Santos, n\u00e3o somente o nome, mas a est\u00e9tica. O p\u00fablico entender essa est\u00e9tica, entender o que ele quis dizer, isso \u00e9 muito importante. Isso humaniza o artista. Ele faz uma obra que \u00e9 \u00e0 frente do seu tempo, mas uma obra que abre um campo de possibilidades para quem vier no futuro conseguir reler aquilo e se debru\u00e7ar sobre aquilo. Quando eu era garoto. eu fiz workshop com ele, e ele falava: <strong>ser reconhecido no meu pa\u00eds \u00e9 a minha maior alegria<\/strong>&#8220;.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Vin\u00edcius de Moraes, parceiro das composi\u00e7\u00f5es <em>Menino travesso<\/em>\u00a0e <em>Se voc\u00ea disser que sim<\/em>, homenageou Moacir Santos nos versos do <em>Samba da Ben\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>O m\u00fasico <strong>morreu em 2006, aos 80 anos, em Los Angeles, onde morava, em decorr\u00eancia de um derrame<\/strong>. Passados 20 anos desde sua partida, o centen\u00e1rio de nascimento de Moacir Santos, em 2026, \u00e9 uma oportunidade de reverenciar a obra dele, que soube fundir t\u00e3o bem ancestralidade e modernidade.<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<p>  <span class=\"hms hms-format-m-ss\">11:20<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Compositor, arranjador, multi-instrumentista, maestro\u2026 Moacir Santos completaria 100 anos no pr\u00f3ximo dia 26 de julho. 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